INÍCIO

 

 

Palestra sobre  Projeto Seringueiro: uma  proposta de  Educação Popular

 

“O saber é construído através da troca de informações entre professor, aluno e comunidade”. Ademir técnico do CTA.

 

A equipe técnica do Centro dos Trabalhadores da Amazônia-CTA proferiu uma palestra  no dia 25 de junho no horario das 14:00 as 17:00 horas para 40 alunos  do curso de Pedagogia da Universidade Federal do Acre, como parte da disciplina “Fundamentos da Educação popular” do primeiro semestre acadêmico 2009, ministrada pelo professor Dr. Gilberto Francisco Dalmolin.

 

Durante a  apresentação, a equipe  procurou dar conta de demonstrar a origem/  contexto histórico em que surgiu o Projeto Seringueiro , seus fundamentos  teóricos e  metodologicos, base  da proposta , os principios que nortearam a construção do projeto, a metodologia utilizada o percurso histórico e sua relevância no contexto atual de educação dos povos da floresta.

 

O Coordenador Técnico Jairo  José deu as boas vindas fez a apresentação institucional e Ademir Pereira Rodrigues, técnico que vem atuando no projeto ao longo desses anos e, a técnica Vânya Regina, apresentaram o histórico , fundamentos do projeto e os livros publicados, adequados a cultura e linguagem de povos de tradição oral.

 

Também foi abordado  a concepção de curriculo, a organização do ensino mais para o formato de ciclos de aprendizagem, a concepção de avaliação e sua prática em sala de aula, as duas disciplinas eixos Lingua Portuguesa e Matemática e, o ensinar de formar inter ou transdisciplinar para favorecer o aprendizado dos alunos oportunizando um aprender , situado e contextualizado, seguindo os princípios defendidos pelo Projeto Seringueiro e fundamentado na Educação Popular, tendo como principal expoente, as concepções de Paulo Freire, agregando abordagem construtivistas e sócios construtivistas -teorias de Jean Piaget, Lev Seminovitch Vygotsky, Henhi Wallon e Gerard Vergnoud- para que a equipe entendesse os fenomenos educativos, o papel desempenhado pelo desenvolvimento e sua ligação com a aprendizagem, o papel das interações em sala de aula entre professor alunos, professor e familias, alunos alunos, alunos e familia, da escola com  a comunidade;  sobretudo, buscava nestas teorias, construir um referencial, através de uma experiência prática de educação popular, numa “engrenagem” ou “espiral” de construção do conhecimento entrelaçando os campos do saber, de forma que, transformasse, o conhecimento cientifico, e os conceitos produzidos nas várias áreas do conhecimento, em conhecimento didático situado, significante e contextuatizado considerando a cultura e os modos de ser dos seringueiros e trabalhadores extrativistas e a inter-relação social, economica, politica e ambiental entre cidade e florestas, cidade e zona rural ou cidade e campo.

 

A partir deste arcabouço teórico foi sendo construido pelas lideranças de base e equipe do Projeto, os primeiros alicerceres de educação do Projeto Seringueiro fincado em um ideal politico ideologico de alfabetizar e politizar adultos para fortalecer o movimento de luta pela permanência na floresta e pela sua autonomia, porque entendia e defendia os princípios de que (1) nenhuma educação é neutra, ou seja, todo processo educativo deve estar vinculado a uma ordem política, (2) na escola todo mundo aprende e, todos têm alguma coisa para aprender, para refletir e para ensinar, (3) a escola deve estar sempre se transformando, ou seja, não é algo acabado, a ser copiado e, a todo o momento deve ser construída e reconstruída por aqueles que dela participam, pois o saber da escola não é sempre o mesmo. Daí segue essa visão de currículo.

 

“Definido pelo conjunto de vivências concretas, datadas quando se trata do tempo já vivido (...) um currículo assemelha-se a um mapa a ser percorrido (...) passa pela natureza etnográfica, do sistema de significados culturais, das comunidades extrativistas, das situações e acontecimentos do dia a dia (...)” CTA, PPP2000: 36

 

Essa concepção, orientou todo o processo de experimentar, de busca estabelecer elo entre teoria e prática, de fazer do Projeto Seringueiro um laboratório que desse conta de dizer para o Brasil, de dimensão continental, que a educação escolar para povos de tradição oral, que vivem em áreas de florestas na Amazônia; não tem que seguir a mesma lógica da educação escolar urbana.

 

Finalmente, pontuamos alguns resultados desta experiência: (a) A reforma agrária do seringueiro que virou realidade com a decretação das Reservas Extrativistas e os Projetos de Assentamentos Agroextrativista, (b) inclusão e regularização das escolas nos seringais, como Política Pública, (c) muitos seringueiros que foram alfabetizados e pós-alfabetizados pelo projeto, assumiram salas de aula e hoje, estão inseridos em curso Superior, (d) acúmulo de experiência do CTA em processos de formação continuada de professores, estendendo as mesmas práticas para formação de agentes florestais comunitários para atuar na cadeia produtiva do manejo florestal comunitário de uso múltiplo, na formação para a gestão de organizações comunitárias, nos processos de assessoria técnica, (e) a política institucional de edição e publicação de livros de literatura infantil adequado ao conhecimento da floresta, a linguagem e ao universo vocabular, retratando a riqueza de expressões da cultura de oralidade do seringueiro, (f) Aprovação da Proposta Político Pedagógico em processo de revisão, (g) Muitos seringueiros (as) que estudaram nas escolas sob a gestão do Projeto Seringueiro, tornaram-se lideranças de base, (h) a produção de monografias de conclusão de graduação, teses de mestrado e doutorados, tendo como referencial, a experiência educacional do Projeto Seringueiro.

 

Texto elaborado: Vânya Regina Rodrigues da Silva e Ademir Pereira Rodrigues

 

Bibliografia:

Poronga: caderno de matemática, 1982.

SILVA, Francisca das Chagas. Uma escola na floreta: o lugar da tecnologia educacional na proposta pedagógica do CTA. Dissertação de Mestrado. CE/UFPB, João Pessoa, 1998

 

Para saber mais: vanya@cta-acre.org

 

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